sexta-feira, 8 de março de 2013

Documento final do 3º Espaço Socializando da UJS|SP




Foto Oficial do Socializando
Itapecerica da Serra foi palco do terceiro espaço Socializando, da UJS|SP, que reuniu jovens das mais diferentes regiões do estado, dispostos a debater os desafios da realidade brasileira, em busca da plena realização dos sonhos da juventude na luta por uma sociedade mais justa.
Em meio a um mundo em crise, que aponta saídas cada vez mais atrasadas, ceifando as oportunidades dos jovens; e vivenciando uma realidade ainda nova para o Brasil, após uma década de governos progressistas, a juventude brasileira se depara com novas contradições políticas e organizativas. Conseguimos avançar em muitas pautas por nós defendidas há anos, como a destinação de 10% do PIB para a educação e a reserva de vagas nas universidades federais. No entanto, apesar dessas medidas, ainda é pequena a parcela de jovens presentes nas universidades, ainda enfrentamos cotidianamente o alto valor da passagem de ônibus, não somos vistos como jovens mulheres que necessitam de políticas específicas, convivemos com todas as formas de opressão e discriminação, e nos deparamos com uma sociedade que assassina os jovens negros como se fosse algo natural.
Orlando Silva e André Tokarski
Para além desses problemas nacionais que não se resolveram, os jovens paulistas ainda sofrem com um certo tipo de “embargo” por meio do governo estadual, que não possibilita que as ações do governo federal cheguem a São Paulo de maneira efetiva. Essa situação, muito conhecida por todos nós só será alterada a partir da organização consciente da juventude, por meio da rebeldia conseqüente que a UJS sempre defendeu. Precisamos cada vez mais entender as novas formas de organização da juventude, considerando o tema do nosso congresso passado “nas redes e nas ruas”, fazendo-se presente nas escolas, universidades, nas ruas, nos bairros, nas praças de esporte, nos teatros e cinemas, nas redes sociais, enfim, em todos os espaços para poder garantir mais avanços para os jovens e para a sociedade brasileira.
Continuaremos, cada vez mais, a levantar as justas bandeiras da juventude que sonha com um mundo mais pleno de oportunidades, que se organiza para gritar bem alto na defesa da felicidade e da vida! Entendemos que só nos organizando poderemos desorganizar o status quo, sabemos que a nossa força de mobilização que historicamente mudou o Brasil continuará nos levando a mais avanços e temos plena convicção que só dialogando com milhares de jovens, dia a dia, poderemos transformar os nossos sonhos em realidade! E para além, sabemos que a União da Juventude Socialista é a organização que reúne os jovens mais dispostos a mudar o país, com a nossa ousadia e irreverência e com muita política na ponta da língua!

Dessa maneira, as nossas pautas política seguem afinadas e dispostas nas bandeiras abaixo:


 EDUCAÇÃO
- 10% do PIB, 50% do Fundo Social do Pré-Sal e 100% dos royalties do pré-sal para a educação!
- Pela real democratização das universidades públicas estaduais! Contra o atual Programa de Inclusão por Mérito do governo do estado de São Paulo! Reserva de vagas já! 50% de vagas para estudantes de escolas públicas, com cotas raciais, por curso e por turno!
- Regulamentação do ensino superior privado! Contra a mercantilização do ensino e ao capital estrangeiro!
- Reforma urgente do Ensino Médio! Por uma educação inclusiva e transformadora.
COMUNICAÇÃO
- Contra o monopólio da mídia! Pela democratização da comunicação!
- Banda Larga para todos!
CULTURA
- 2% do PIB para Cultura!
- Meia entrada para estudantes!
- Acesso à cultura para todos!
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA JUVENTUDE
- Pela reorganização imediata do Conselho Estadual de Juventude, de maneira democrática! Pela criação de Conselhos Municipais de Juventude em todo o estado.
- Por um Estatuto, Plano e Fundos estaduais de Juventude!
- Pela realização de um Mapa Estadual da Juventude, assim como Mapas Municipais de Juventude
RACISMO E VIOLÊNCIA
- Pelo fim do genocídio da juventude negra! Contra toda forma de discriminação!
- Pela descentralização das opções culturais e de trabalho, a fim de combater a desigualdade social e regional.
- Contra a repressão policial que criminaliza a juventude!
MULHERES
- Pelo fim da violência contra a mulher! Implementação efetiva da Lei Maria da Penha e criação de mais equipamentos que combatam a violência (Delegacias de Mulher e Casas Abrigo).
- Pela ampliação radical das vagas nas creches e criação imediata de creches nas universidades!
- Reforma Política Já! Por mais mulheres nos espaços de poder!
LGBT
- Homofobia é crime! Criminalização da homofobia já! Pelo combate da homofobia nas escolas e universidades!
- Por mais politização das Paradas do Orgulho LGBT!
- Pela unificação do movimento LGBT a nível nacional!
CIDADES
- Fim da criminalização dos movimentos sociais!
- Reforma Urbana Já! Pela desburocratização na implementação dos projetos governamentais.
- Incentivo da participação popular nos debates acerca da cidade e criação de mais mecanismos para tal.
ESPORTES
- Democratização do acesso ao esporte!
- Criação de mais estruturas e equipamentos de qualidade para prática esportiva, mais praças e parques.
- Pela real implementação do esporte de alto rendimento, promovendo-o nas escolas e universidades também.
TRABALHO
- Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário!
- Pela reformulação do ProJovem urbano!
- Pela equiparação salarial dos jovens trabalhadores, assim como maior oferta de cursos técnicos profissionalizantes. 

FONTE: http://nossacarasp.blogspot.com.br/2013/03/documento-final-do-3-espaco.html?spref=fb

Ser Socialista é mulheres no poder!


terça-feira, 5 de março de 2013

Nota: Hasta Siempre, Comandante!


Por nossos mortos nenhum minuto de silencio, mas, uma vida inteira de luta”.
A América Latina, Nuestra America, perde hoje um de seus mais destacados líderes. Em rede de televisão aberta e ao vivo o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a morte do Comandante Hugo Chávez.
Quando Eduardo Galeano escreveu o livro “As veias abertas da América latina” éramos um continente de joelhos para as grandes potências, vivíamos em quase todas as partes nas sombras de ditaduras assassinas e entreguistas.
Hugo Chávez é um dos maiores símbolos da luta por transformar este pedaço de terra tão rica, de um bravo povo, em “la gran patria latinoamérica”!
Temos a certeza que a revolução bolivariana, que fortaleceu a democracia participativa através dos círculos bolivarianos e dos conselhos comunais, que erradicou o analfabetismo, enterrou a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que tem a menor desigualdade social de toda a América do sul e proclamou o socialismo do século 21, continuará, lidera por Nicolás Maduro, a realizar os grandes feitos revolucionários iniciados por Hugo Chávez.
Estamos seguros de que o povo venezuelano, com sua bravura revolucionária, saberá superar este momento de profunda dor – dor que também sentimos – e continuarão o caminho da libertação, justiça, democracia e paz.
Como disse o vice-presidente Nicolás Maduro, “que em nosso coração haja o único sentimento de nosso comandante, amor pela pátria”.
Hasta Siempre Comandante Chávez!
União da Juventude Socialista.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Luto em Santa Maria/Rs e Brasil

A UJS de Poá/SP se solidariza com os cidadãos de Santa Maria/RS. Desejamos força para que todos consigam supera essa tragédia.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

JUCIP abrirá inscrições!


A Juventude Cívica Poaense, JUCIP, abrirá inscrições para o seu curso preparatório nos dias 05 e 06 de Fevereiro. Para se inscrever é necessário ser morador de Poá e levar os seguintes documentos:
  1. RG;
  2. CPF;
  3. Comprovante de residência.
Os interessados devem comparecer a Rua Poanópolis, nº 369 no centro de Poá, próximo a EE Paulo Olintho Redher. Mais informações pelo telefone 4636 - 8165.


Gerações de luta encontram - se em Olinda/PE


No mês em que acontece a 8ª Bienal da UNE em Olinda/PE e o 2º Encontro Nacional de Grêmios da UBES uma semana antes em Recife/PE discussões, protestos, reivindicações, propostas, conquistas e encontros são realizados.
Hoje, 24, o Presidente da União Municipal de Estudantes de Poá, Felipe Fernandes que participou do Encontro Nacional de Grêmios e essa semana participa da Bienal encontrou - se com a ex - presidente e hoje integrante do site de noticia vermelho Carla Santos.


Carla Santos foi presidente da UBES no momento em que o país era saqueado pelo governo neoliberal de FHC e com garra enfrentou e levou os estudantes secundaristas a luta. Carla em 2001,protestou no planalto central nua com seu corpo todo escrito com palavras de ordem contra a corrupção do governo que envolvia ACM e outros da banda podre do PFL(atual DEM).
Os dois discutiram sobre a importância da comunicação, no caso da mídia alternativa, para a mobilização e articulação dos estudantes na era digital após participarem de oficina sobre o tema.
Carla Santos, ex - presidente da UBES, em protesto contra corrupção em Brasilia em 2001.(foto Beto Barata/Folha Imagem)

sábado, 19 de janeiro de 2013

GOVERNADOR ALCKMIN É RECEBIDO COM PROTESTOS EM POÁ



O Governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve neste sábado, 19, em Poá, na Grande São Paulo, e foi recebido com protestos organizado por estudantes e militantes do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). O governador foi assinar parceria com a prefeitura local em projeto do Casa Paulista.
Os manifestantes lembraram a ausência de política consistente na área habitacional por parte do governo estadual. O Casa Paulista é insuficiente para reduzir o déficit na área em todo o Estado, lembrou um dos participantes do ato, Carlos Moreira. “No momento em que tristemente lembramos o aniversário de um ano do massacre no Pinheirinho organizado pelos tucanos, temos a certeza de que não há política séria para construção de moradias em São Paulo”, disse o manifestante.
O município de Poá está conduzindo a construção de um Plano Municipal de Habitação para precisar o déficit que hoje é estimado em 3 mil moradias pela Secretaria de Habitação. Certamente, no entanto, o número tem crescido diante da política estadual na construção de estradas. Segundo Lais Silva, a cidade sofreu com muitas desapropriações recentemente. “Há mais investimento em desapropriar para a obra do Rodoanel do que em construção de moradias. Além disso, o valor repassado aos moradores é irrisório”, lembrou a estudante.
No ato, um fotografo, identificado como assessor do governador, foi para cima dos manifestantes e rasgou um dos cartazes.
Os manifestantes demonstraram ainda solidariedade ao Assentamento Milton Santos que está sob ordem de desocupação judicial e criticaram ainda a política de segurança pública e o genocídio contra a comunidade negra e pobre que vem ocorrendo em todo o território paulista.
A cidade, que é Estância Hidromineral, não recebeu ainda qualquer garantia de melhoria contra o impacto que será causado pelo Rodoanel e não há programa para realocar os moradores desapropriados. Ficará no município a única entrada na região para o anel viário.

Casa Paulista
O ato celebrou a assinatura de apoio do governo estadual para a construção de 256 moradias no empreendimento Condomínio Esmeralda, no bairro Jardim Débora, que receberá investimentos de R$ 21,5 milhões, dos quais R$ 4,9 milhões da Casa Paulista e também contará com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida. A obra foi prometida pela administração municipal desde 2010. Além do governador, e do Prefeito Francisco Pereira de Souza (PDT), estiveram na cerimônia prefeitos da região, vereadores, o deputado federal Roberto de Lucena (PR) e Ramalho da Construção (PSDB), deputado estadual.



 texto de Arthur Stabile

Presidente da UMEP participa do 2º Encontro Nacional de Grêmios em RECIFE- PE

O presidente da União Municipal dos Estudantes de Poá, UMEP, Felipe Fernandes participa neste momento e até o dia 21 de janeiro na cidade Recife capital de Pernambuco do 2º Encontro Nacional de Grêmios da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, UBES. Ao mesmo tempo acontece o 14º CONEB também em Recife.
Lá estão sendo discutidos importantes questões para Educação e estudantes do Brasil como 10% do PIB para Educação; 50% do Pré - Sal para Educação; Reforma Universitária; regulação das universidades privadas. 
Mais uma vez o Movimento Estudantil poaense diz "Presente!" nos momentos de decisão e de debates de ideias para educação brasileira.







Assista pelo blog da UJS de Poá CONEB da UNE




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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Reunião das juventudes convoca Jornada de Lutas para 2013


A sede da União Nacional dos Estudantes, em São Paulo, recebeu na terça-feira (8) integrantes de diversos movimentos de juventude para organizar a próxima Jornada de Lutas, programada para o mês de março. Participaram o presidente da UNE, Daniel Iliescu, representantes da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), do Coletivo de Juventude do MST, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Levante Popular da Juventude, entre outros.


A reforma política, o fim da violência contra a juventude, o financiamento público da educação, melhores condições de trabalho e a democratização dos meios de comunicação são as pautas centrais da jornada. A semana de 25 de março a 1º de abril foi a escolhida para a realização das manifestações Brasil afora.

Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, 2013 promete ser o ano em que a juventude brasileira fará grandiosas manifestações. ‘’Nós iremos para as ruas e também nas redes digitais conquistar mais direitos e avanços para o Brasil, como os 10% do PIB para a educação, o fim da violência contra a juventude negra, melhores condições de trabalho no campo e na cidades, e claro, mais democracia na mídia e na política’’, afirmou.

No dia 23 de fevereiro será realizada uma plenária nacional da jornada, aberta a todos os coletivos e organizações. O local ainda será definido.

Segundo a representante do Levante Popular da Juventude, Carla Bueno, tais ações estão sendo muito importantes porque se mostram uma simulação do processo unificado que permeia o ideal da jornada de lutas. ‘’A gente tem feito um esforço para reunir diversas organizações com o objetivo de fazermos uma excelente jornada. Dialogamos bastante pra encontrarmos e somarmos nossos focos’’, explicou.

A Jornada Nacional de Lutas, organizada pela UNE, UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional dos Pós Graduandos) ocorre anualmente no mês de março, em homenagem ao estudante secundarista Edson Luis. Paraense radicado no Rio de Janeiro, Edson foi morto pela ditadura militar com um tiro no peito dia 28 de março de 1968 quando protestava no restaurante universitário Calabouço contra o aumento no preço da refeição. Todos os anos os estudantes promovem uma série de intervenções em diversas regiões do país para apresentar suas reivindicações e, assim, dialogar com os setores da sociedade.

Fonte: UNE

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Em SP a cultura reacionária deve ser combatida!

Nessa primeira semana de janeiro de 2013, vimos via rede, mais uma vez, a essência de constituição das forças policialescas do Estado contemporâneo. Numa demonstração brutal de como a Policia Paulista, e no caso especifico a Guarda Civil Metroplolitana  de São Paulo ou "playmobil", como chamam os paulistanos, tratam aqueles a qual deveria proteger.
Como podemos ver nas imagens postadas por um skatista, GCM's de São Paulo agridem sem motivo aparente skatistas que praticavam o esporte na Praça Roseevelt .
Tipico de grupo social que considera o skate um esporte marginal e de marginais.


Esta ação violenta da GCM, contradiz as iniciativas da prefeitura de São Paulo junto ao movimento de skatista, como, por exemplo, o Sampa Skate que tem como um dos organizadores uma das lendas do skate brasileiro e internacional Marcio Tanabe e conta com a participação de Sandro Testinha da Ong Skate Social Manobra do Bem. O que mostra que talvez o "apoio" não tenha sido apenas uma tentativa falsa de apoiar pessoas como Tanabe. E que a gestão eleita tem o dever de mudar.
A UJS de Poá repudia toda e qualquer violência praticada contra a juventude, contra skatistas e esportistas de qualquer esporte.

sábado, 17 de novembro de 2012

1º Encontro Estadual de Grêmios da UPES: DOCUMENTO FINAL


Vivemos no último período em um Brasil de grandes transformações. No cenário socioeconômico, a descoberta de reservas de petróleo abaixo da camada pré-sal, retomada da indústria naval, programas de distribuição de renda e geração de emprego possibilitaram a ascensão econômica e a retirada de mais de 27 milhões de brasileiros da condição de extrema pobreza. 

A criação de 214 novas escolas técnicas, proporcionando a formação/qualificação de 1,1 milhão de estudantes do ensino técnico, em um significativo aumento de 110% das vagas, a criação de 3 mil vagas no ensino superior por meio do Reuni e Prouni, a aprovação das cotas sociais e raciais e o vislumbramento do investimento direto de 10% do PIB para educação e da lei da meia-entrada nos deixam otimistas para o enfrentamento dos desafios postos à educação brasileira e as transformações sociais no Brasil.

Apesar dos recentes progressos na educação, enfrentamos gargalos inadmissíveis para uma potência econômica mundial em meio ao século XXI: são 14 milhões de analfabetos, apenas 18% das crianças de 0-3 anos conseguem ter acesso à creche e 18% ainda não têm acesso ao ensino infantil (fases essenciais para formação, socialização e construção do aprendizado), o ensino médio tem uma evasão de 10,3%. Temos ainda um déficit de 300 mil professores, em especial de ciências exatas e biológicas, pouco mais de 40% das escolas de ensino fundamental/médio têm bibliotecas e de um total de 194 mil escolas, apenas 80 mil têm laboratórios de informática.

Para revertermos o quadro da educação básica é necessária profunda reforma educacional que rompa os laços da educação com o perfil tecnocrata que nunca cumpriu o papel de servir aos interesses nacionais. Vivemos ainda uma educação que não se encaixa no mundo no qual vivemos. Aprimorar a qualidade de ensino como um todo, reformular o ensino médio e fazer uso das novas tecnologias são os principais desafios colocados.

A construção de um ensino médio integral que contribua para formação social, profissional e sirva de ponte para o acesso à universidade, com um currículo inovador que valorize a prática desportiva, produção cultural de forma que ao término do ensino médio, o ensino superior seja uma etapa opcional e não necessária para a emancipação e autonomia dos jovens estudantes, vista como parte estratégica para a transformação da educação brasileira.

São muitos os desafios do movimento estudantil secundarista e a UBES e a UPES devem estar preparadas para vencê-los. Vivemos um novo Brasil, uma nova educação, uma nova juventude e consequentemente, novos desafios. Mudar a cara da educação e construir uma nova escola perpassa fundamentalmente por um movimento secundarista mais forte, ainda mais de massa e com maior poder de intervenção institucional.

Nosso objetivo é atingir um patamar superior no que diz respeito à capacidade de mobilização da juventude nesse novo Brasil, dado que não é simples gesto de vontade ou impulso mobilizar vontades e aspirações da nossa geração. Em que pese todos os avanços apontados e a nova perspectiva que se abriu para milhões de brasileiros, só com uma galera atenta e permanentemente mobilizada é que daremos os passos necessários em direção ao Brasil dos nossos sonhos.

Em São Paulo, os 9 milhões de estudantes secundaristas não conseguem visualizar todos os avanços obtidos nacionalmente. Ainda vivemos uma realidade opressora, que criminaliza a juventude dentro da escola, na periferia e que só oferece a política pública do cassetete. As escolas estaduais estão totalmente sucateadas, com professores desmotivados, cheias de grades e sem nenhuma condição de ofertar um ensino que proporcione desenvolvimento tecnológico e cultural.

As técnicas pré-históricas de giz e lousa não condizem com a realidade moderna da comunicação entre os estudantes e o mundo, além de que há cada vez mais violência dentro e fora da escola. O tráfico de drogas já rompeu os portões e os jovens cada vez mais são atraídos pela criminalidade. É impossível concordar com a realidade de que o Estado mais rico da federação só possa oferecer policiais dentro das escolas como política pública de segurança e uma apostila de péssima qualidade.

O Estado motor do país não consegue pagar o piso salarial aos seus professores e quem dirá promover a formação continuada com dedicação exclusiva para que a educação atinja outras potencialidades dos estudantes. São Paulo está desconectada com os avanços do país e para que a escola e seu currículo mudem precisamos lutar não só por mais investimento, mas por uma nova escola que atenda as vontades da juventude e permita que o Ensino Fundamental e Médio estejam concatenados, garantindo boa formação tanto para o ingresso no mundo do trabalho como na universidade.

Portanto, o objetivo central desse 1º Encontro Estadual de Grêmios da UPES foi debater como de fato será e como construiremos essa nova escola, com base nas novas discussões e conquistas acerca da reserva de vagas nas universidades e institutos federais, em vistas a avançar no debate e consolidação do acesso dos estudantes das escolas paulistas nas universidades estaduais.

Atualmente as universidades estaduais paulistas não têm um modelo único de reserva de vagas que garanta de fato a democratização do acesso ao ensino superior e alegam que a destinação de 50% das vagas para estudantes oriundos das escolas públicas, com cotas raciais, fere a autonomia universitária, caso seja aprovada por lei estadual.

Vislumbramos que algumas iniciativas de políticas afirmativas de inclusão já estão sendo tomadas por parte de alguns conselhos universitários, porém isso ainda é insuficiente para comportar a demanda dos estudantes secundaristas das escolas públicas nas universidades. Defendemos que a universidade seja o reflexo da sociedade paulista e abra as suas portas para que a maioria dos estudantes tenham oportunidade de ter acesso a um dos melhores ensinos do país! Para isso, se faz urgente uma lei estadual que garanta a reserva de vagas para 50% dos estudantes das escolas estaduais públicas, com cotas raciais, por curso e por turno; respeitando as grandes conquistas já realizadas por todo o estado enquanto políticas afirmativas de inclusão.

Dentro desse debate, tiramos como pauta principal a luta pela reserva de vagas nas universidades estaduais e, para tanto, convocamos todos os estudantes paulistas à ocupar a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo no dia 28 de novembro de 2012!

Para além do debate da reserva, o Encontro deliberou principalmente que não há luta mais urgente do que a necessidade de se ter um grêmio em cada escola e uma UMES em cada cidade, para que as tantas demandas gerais sejam materializadas no dia-a-dia dos estudantes. Sendo assim, de acordo com os debates, seguem as resoluções dos grupos:

Ensino Técnico e Desenvolvimento
1) Mais financiamento!  10% do PIB, 50% do Fundo Social do Pré-Sal e 100% dos royalties para a educação, já para que seja possível:
- Valorização do professor e do profissional da área educacional, por meio de melhorias salariais, formação continuada e dedicação exclusiva;
- Revisão e reestruturação das estruturas laboratoriais, com construção de laboratórios de química, física, biologia, informática e afins, prevendo compartilhamento entre unidades públicas e privadas;
- Melhor divulgação dos cursos técnicos e suas funções, inclusive com orientação vocacional;
- Incentivo aos grupos PET e outras formas de divulgação científica;
- Universalização da alimentação escolar de qualidade;
- Um computador para cada aluno e para cada profissional da educação.

2) Organização local e fortalecimento dos grêmios para:
- Campanha Estadual para que as escolas organizem convênio de estágios facilitando o processo de aprendizagem e de entrada no mercado de trabalho;
- Luta pela eleição direta para diretor com participação de toda comunidade, assim como pela democratização do espaço escolar, com garantia de participação estudantil nos Conselhos Escolares;
- Luta pela democratização do Ceeteps;
- Luta pela participação discente na definição dos rumos da unidade de ensino, inclusive novos cursos;
- Luta pela revisão periódica dos currículos, com participação estudantil nos fóruns que o façam.

3) Organização Estadual para que se constitua a rede estadual de grêmios das escolas técnicas para exercer controle social sobre o Ceeteps e o Conselho Estadual de Educação.

4) Calendário de lutas
- Ocupar a SEDUC dia 28 de novembro em defesa da reserva de vagas estadual;
- Marcha das técnicas para a Assembleia Legislativa no processo da Lei de Diretrizes Orçamentárias;
- Incentivo à participação no Enapet – julho/Recife/SBPC;
- Incentivo à participação no Encontro Nacional de Grêmios da UBES – janeiro/Recife.

Passe Livre
- Passe Livre para todos os estudantes que possibilite acesso à cultura, esporte e lazer;
- Debater com outros movimentos que realizam a mesma luta com fim de unificar as pautas;
- Luta pela concessão das empresas de ônibus para o período de 5 anos;
- Pela participação dos estudantes nos Conselhos Municipais e Estadual de transporte.

Ensino Médio e a Nova Escola
1)    Por um PL que garanta a Reserva de 50% das vagas (por curso e por turno) das universidades estaduais paulistas para estudantes oriundos das escolas públicas, com cotas raciais, valorizando as ações de inclusão já existentes;
2)    Reestruturação da infra-estrutura escolar:
- Retirada das grades e câmeras de vigilância das unidades escolares;
- Bolsa Permanência no Ensino Médio;
- Realização de mais parcerias com o movimento educacional (CNTE, Apeoesp, etc)

3)    Material didático
- Atualização e reformulação do material didático;
- Pelo fim do “Caderno do Aluno”;
- Fim da progressão continuada nos moldes aplicados pelo governo do estado de São Paulo, que vem a ser uma aprovação automática;
- Reformulação do sistema avaliativo (Saresp, ENEM, Prova Brasil, etc);
- Reformulação da grade escolar;
- Valorização do esporte e da cultura no espaço da escola, garantindo em todas as escolas uma quadra poliesportiva coberta e espaços de realização e divulgação cultural;
- Conscientizar o jovem acerca dos seus direitos, assim como a participação dos grêmios estudantis/UMES nos Conselhos Municipais de Juventude/Educação nas cidades que os possuírem, e incentivar a luta pela construção dos mesmos.

LGBT, Direitos Humanos e Violência
- Criminalização da homofobia! Luta pela aprovação do PL 122!
- Mais democracia na escola, propiciando um ambiente favorável à convivência com as diferenças, contra toda forma de preconceito às mulheres, negros, lgbt, portadores de necessidades especiais, etc;
- Garantir que cada grêmio estudantil tenha um diretor LGBT e que os movimentos dentro da escola realizem cooperação com os movimentos sociais existentes nos municípios para o fortalecimento das bandeiras;
- Participação do movimento estudantil na organização das paradas do orgulho LGBT para que as pautas políticas estudantis e de outros segmentos se fortaleçam e ganhem visibilidade;
- Lutar pelo direito à vida e ao amor, assim como lutar pela garantia de manifestação de cada identidade, por meio de ações nas escolas e nas comunidades;
- Lutar pela participação do movimento estudantil nos Conselhos de Direitos Humanos;
- Por campanhas constantes de desmilitarização da Polícia, garantindo maior oferta de política pública aos jovens que não seja desse aparelho repressor;
- Pela realização de mais marchas e movimentos que ocupem as ruas em defesa dos direitos humanos, das mulheres, negros, lgbt, etc;
- Por constante política de reeducação dos comportamentos nas escolas, pelo fim do bullying de forma geral e constante reafirmação da liberdade individual por meio de espaços de debates dentro das escolas e outras ações;
- Defesa da liberdade religiosa no espaço escolar.

Sendo assim, encerra-se nesse dia 11 de novembro de 2012 o 1º Encontro Estadual de Grêmios da União Paulista dos Estudantes Secundaristas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Primeiro Encontro de Grêmios da UPES


E aí galera!!! Dia 9,10 e 11 vai acontecer o 1° Encontro de Grêmios da UPES que tem por meta reunir mais de 300 grêmios de todas as regiões do estado de São Paulo. A partir de agora todos os estudantes estão convocados a participar desse que
 é o maior fórum de debate, com a base que estrutura essa entidade que está indo rumo aos 65 anos.

O encontro tem como objetivo debater, oxigenar e atualizar as principais bandeiras de luta da UPES como por exemplo a Reserva de vagas nas universidades estaduais, passe livre, 10% do PIB pra educação, acontecerá no encontro também oficinas sobre como montar o seu jornal mural e o seu zine, como criar e manter o blog do seu grêmio, como montar o grêmio, entre outras oficinas ... 
Pra além disso dentro do encontro de grêmios também acontecerá a 1ª Copa UPES então montem os times convoquem os grêmios que a cidade de São Bernado já ta preparada pra receber toda essa galera animada que todos os dias leva o nome e a historia da UPES pra dentro de cada escola da sua cidade.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Fora Collor: a luta contra o neoliberalismo


No livro A era Collor - da eleição ao impeachment, cujo lançamento ocorre hoje, em São Paulo, Rodrigo Carvalho faz um balanço deste evento fundamental da história recente do Brasil e do papel que a juventude, a esquerda e os comunistas tiveram nela.

Por José Carlos Ruy


A história é uma ciência difícil, principalmente quando trata do tempo presente. Este desafio  foi enfrentado com brilho por Rodrigo de Carvalho no livro A era Collor - da eleição ao impeachment, que a Fundação Maurício Grabois e a Editora Anita Garibaldi acabam de lançar.

Para complicar, Rodrigo enfrentou não apenas um tema contemporâneo, que completa 20 anos: em 29 de setembro de 1992 a Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment do presidente Collor, afastando-o do cargo. Rodrigo enfrentou um tema histórico no qual, juntamente com o diretores da União Nacional do Estudantes Lindbergh Farias (presidente) e Orlando Silva Jr (tesoureiro), teve intensa atuação no movimento Caras Pintadas que levou às ruas a exigência de saída do presidente que inaugurou o neoliberalismo no Brasil. 

O livro de Rodrigo de Carvalho está à altura do desafio. Ao cobrir um período histórico que inclui a campanha das Diretas Já, o fim da ditadura militar e a eleição presidencial de 1989 (na qual Lula foi o fantasma que amedrontou a classe dominante brasileira), ele descreve o painel necessário para a compreensão da encruzilhada histórica que o país vivia e para o entendimento do levante da juventude e dos brasileiros contra Collor. Painel enriquecido com o depoimento de alguns personagens chave naquele movimento, como Renato Rabelo, hoje presidente nacional do PCdoB (que foi o primeiro partido a propor o Fora Collor), Orlando Silva Jr, Oliveiros Ferreira (secretário de redação do jornal O Estado de S. Paulo), os senadores Pedro Simon e Eduardo Suplicy, e o próprio Fernando Collor de Mello, que hoje também é senador.

Trata-se de uma obra fundamental para o conhecimento da história recente do Brasil. Vermelho publica, a seguir, a conclusão do livro.


Conclusão: vinte anos depois
Por Rodrigo Carvalho

Momentos históricos relevantes para a vida de um país ou para o mundo precisam de certo tempo para ser avaliados. Não é da noite para o dia que tiramos de um fato todas as suas consequências e verificamos se elas se sustentam.

No período imediatamente posterior ao dia 11 de setembro de 2001, o historiador Eric Hobsbawm foi chamado a analisar aquele que provavelmente seria o ato inaugural do século 21. A principal opinião do autor de A era dos extremos era a de que qualquer análise imediata teria de ser tomada com cuidado. Só o tempo ajudaria a decifrar melhor os atentados às Torres Gêmeas.

Passados vinte anos do processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, é possível definir o momento atual do Brasil como de estabilidade institucional. Consolida-se um ciclo de desenvolvimento político, econômico e social. Podemos identificar, mesmo com opiniões diversas sobre os caminhos agora trilhados pelo país, um período de consolidação democrática.

O impeachment de Collor ocorreu em momento inicial da nova experiência democrática. O movimento cívico-popular que possibilitou o encerramento antecipado daquele governo foi importante para a formação de nossas experiências políticas.

Poucos foram os estudos até o momento sobre esse fenômeno histórico e político, mas as características e a importância do movimento Fora Collor podem ser situados em patamar semelhante ao do movimento das Diretas Já. Ambos representam os mais importantes acontecimentos políticos do período da redemocratização do país. Muitos são os elementos que levam a essa conclusão.

A semelhança mais expressiva é o componente de participação social através de ações espontâneas e ao mesmo tempo articuladas por setores sociais organizados, como entidades, partidos e demais instituições.

Tanto o movimento das diretas quanto o que resultou no impeachment representaram o anseio de uma maioria que não concordava com os rumos do país em seus respectivos contextos.

Outro elemento importante é a aproximação histórica. Os movimentos guardam relação intrínseca tanto com o início do processo de abertura democrática quanto com sua consolidação, demonstrando que o Brasil buscou, por caminhos próprios, identificar quais maneiras de organização política, participação popular e transição institucional levariam à formação do novo Estado brasileiro e de suas estruturas de funcionamento.

Quando analisamos as características políticas que movimentaram a campanha das diretas e o movimento Fora Collor, logo percebemos tratar-se de eventos que ocorreram em meio a condições adversas.

No primeiro caso, um deputado federal novato, Dante de Oliveira (PMDB-MT), buscou assinaturas suficientes entre deputados e senadores para apresentar uma emenda constitucional propondo a instituição das eleições diretas para presidente da República. É certo que houve outras propostas em legislaturas anteriores, mas foi essa ação que permitiu deslanchar o primeiro ato do movimento. As assinaturas foram colhidas graças à ação perspicaz do deputado, à mobilização de uma oposição crescente e, em certa medida, à divisão da base aliada. Havia, sobretudo, certo ceticismo dos parlamentares quanto à oportunidade da emenda e sua capacidade de prosperar. O mesmo ceticismo pôde ser verificado quanto aos resultados que poderiam advir de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito proposta para investigar as acusações de um irmão do presidente da República colhidas por um senador, Eduardo Suplicy (PT), de um partido minoritário. Nesse caso havia fatos relevantes para prosseguir com a abertura de uma CPI, mas a hipótese de impeachment se revelava, em princípio, distante.

Outro elemento político relevante diz respeito ao enfraquecimento dos centros de poder. Os governos dos presidentes da República João Baptista Figueiredo (PDS) e Fernando Collor de Mello (PRN), absolutamente distintos na política e na ideologia, padeciam com semelhantes crises econômicas sistêmicas e conjunturais. Sofriam, ainda, os efeitos da falta de unidade política. Esses fatores, somados ao fracionamento das classes dominantes e a uma profunda crise ética, tornaram ambos os governos incapazes de reagir e influenciar os rumos políticos no final de seus mandatos.

O papel cumprido pela imprensa e pela opinião política, com posições diferentes entre os diversos meios de comunicação, mas com a obrigatória cobertura dos fatos (mesmo a Globo, que se atrasou em cobrir as manifestações em ambos os movimentos, teve de se render parcialmente aos acontecimentos), também compõe o conjunto de características políticas presentes tanto nas Diretas Já quanto no Fora Collor.

Os movimentos tiveram amplitude em seus respectivos contextos históricos. Contaram com a participação de amplos setores da sociedade e envolveram matizes políticas e ideológicas as mais diversas. Essa característica provocou disputas internas também no campo oposicionista.

Enquanto forças conservadoras se dividiam entre a manutenção de determinados privilégios e as mudanças estruturantes que abriam mercados e capitais, as forças progressistas tinham uma pauta desenvolvimentista, com forte reivindicação de programas e projetos de resgate social. A unidade era dada na palavra de ordem como objetivo maior que unificava a todos.

Os resultados de ambos os movimentos demonstram o quão complexas são as ações históricas relevantes, nas quais frequentemente se verificam vitórias e derrotas parciais. No caso das Diretas Já tivemos uma derrota no resultado, mas ao mesmo tempo uma vitória relacionada ao início de uma transição. No movimento pelo impeachment de Collor, o que tivemos foi uma vitória no resultado e uma paralisação momentânea da aplicação do modelo neoliberal, que seria retomado posteriormente no governo Fernando Henrique Cardoso. Porém, o principal elemento a unificar esses dois processos foi o fato de terem contribuído sobremaneira para a construção da jovem democracia brasileira.

É possível afirmar que o movimento das diretas possui já em nossos dias certa unidade de explicações e interpretações sobre seu significado para o país. O Fora Collor ainda carece de um debate mais apurado sobre os fatos, capaz mesmo de explicitar melhor as diferenças interpretativas sobre seu significado, ainda que não seja possível alcançar maior unidade de interpretações sobre esse fenômeno.

No debate sobre o processo político que resultou no impeachment, confrontam-se argumentos a favor e contra a tese da aplicação do projeto neoliberal no Brasil a partir do governo Collor. O debate entre essas duas correntes de opinião estabelece um importante ponto de partida para a compreensão do Fora Collor. Este livro parte do pressuposto de que houve no governo Collor a aplicação do modelo neoliberal. Desde o início, os princípios reunidos no chamado Consenso de Washington são claramente esposados pelo candidato Fernando Collor, cujo governo agiria, mais tarde, de maneira absolutamente coerente com as posições chamadas neoliberais.

A vitória eleitoral de Fernando Collor de Mello em 1989 não foi obra do acaso ou um “acidente de percurso”, como alguns intelectuais e meios de comunicação procuraram e procuram interpretar. O candidato Collor foi o mais radical e consequente defensor das teses neoliberais.

Isso fez com que a unidade, mesmo frágil, das classes dominantes ocorresse naquele momento, em um esforço extraordinário para evitar uma guinada do país à esquerda. As propostas de Collor sobre a política econômica eram bastante claras e foram defendidas entusiasticamente pelas classes dominantes e seus veículos de comunicação, seja às vésperas das eleições, seja mais tarde, no início do governo. É certo que a linguagem direta com o povo e uma competente estratégia eleitoral possibilitou a Collor uma vantagem inicial e a consolidação de seu nome nas eleições, mas isso deve ser compreendido no contexto mais geral que emoldura o significado da candidatura Collor naquele momento.

Collor representou os anseios e as vontades de uma elite em reorganização, embora fragmentada em diversas candidaturas, inclusive por segmentos econômicos – como a agricultura, o comércio, a indústria e outros. O candidato Collor unificou as classes dominantes “na marra”, impondo-se como o único capaz de vencer a esquerda em ascensão. Parte de seu discurso enchia de esperanças uma massa de trabalhadores e trabalhadoras desempregados ou com baixos salários, gente que sofria com a escalada inflacionária e se indignava com o fracasso econômico pós-redemocratização. Tal situação representou campo fértil à ascensão de um líder forte, capaz de “colocar o país nos eixos”. É nesse contexto que Collor apresenta um programa baseado em reformas econômicas, administrativas e políticas com o objetivo de colocar o Brasil no centro da “modernidade”, abrindo o país aos capitais e produtos externos e oferecendo, assim, produtos de qualidade aos que tinham capacidade de comprar. Collor também propunha o enxugamento da máquina pública, a diminuição de gastos, o encerramento do ciclo deficitário das estatais – por meio das privatizações – e a liberdade plena à iniciativa privada. Pretendia com essas medidas, declaradamente, golpear a corrupção, impor uma ordem política acima dos partidos e encerrar de uma vez por todas o ciclo caracterizado pelo modelo desenvolvimentista conservador dos militares, considerado esgotado.

A eleição presidencial de 1989 selou a retomada da vida democrática no Brasil. Apesar das críticas relacionadas ao modelo de democracia que desde então se formou, é importante considerar que a experiência do final dos anos 1980 foi fundamental para a consolidação da transição rumo à normalidade institucional. Partidos, entidades, movimentos, imprensa e demais forças vivas da sociedade passaram a se manifestar livremente. À parte os questionamentos sobre o papel do poder econômico ou sobre possíveis erros e insuficiências, após 29 anos de ausência do voto popular a eleição presidencial de 1989 contagiou o Brasil, emocionou e envolveu a sociedade numa demonstração de aceitação e legitimação das regras estabelecidas para se definir quais lideranças e forças políticas ocupariam o poder central do país.

O governo Collor representou o início de mudanças econômicas profundas, por meio das quais se tentou substituir um modelo caquético, baseado em uma forma de dirigismo estatista conservador, pelos princípios neoliberais do Consenso de Washington: controle da inflação baseado em cortes de gastos públicos; enxugamento da estrutura do Estado, com a diminuição de seu papel na economia; defesa das privatizações como forma de reduzir o papel do Estado, valorizar os mercados e comprimir gastos públicos. A abertura econômica surge no discurso da globalização neoliberal como a medida que unificaria economias, romperia as fronteiras nacionais e estabeleceria uma integração mundial através das relações de mercado. Teríamos, dessa forma, o livre trânsito de produtos e tecnologias e a saudável concorrência entre empresas e demais instituições. Tudo com o objetivo de promover o princípio fundamental do liberalismo: relações econômicas livres, sem as amarras de regras “exageradas” que apenas atrasariam o desenvolvimento.

A fim de libertar a economia da “opressão” do Estado, também se faria necessário acabar com as regulamentações estabelecidas pelos governos, permitindo a livre negociação entre os entes representativos (entre empresas e entre patrões e empregados). Por fim, a redução do papel do Estado permitiria a diminuição dos déficits públicos e, consequentemente, a diminuição de impostos.

Entre as opiniões contrárias à tese de aplicação do neoliberalismo encontra-se a posição do próprio presidente Fernando Collor, que se posiciona como um social liberal, de acordo com a tese desenvolvida pelo teórico italiano Norberto Bobbio e defendida pelo sociólogo brasileiro José Guilherme Merquior. Collor evoca, como base de sua argumentação, suas preocupações (sinceras ao que parece) com sua base política principal: os menos favorecidos. Pensando neles é que teria buscado desenvolver uma rede de proteção social baseada na educação, com escolas em tempo integral, em modelo claramente tomado de empréstimo do antropólogo Darcy Ribeiro. Ainda na visão do ex-presidente, seu governo também teria sido pioneiro na construção de um modelo de desenvolvimento baseado na economia sustentável, com forte preocupação com a resolução de nossos problemas ambientais.

Outra vertente das mesmas ideias — contrárias à tese da aplicação do neoliberalismo por Collor — pode ser encontrada nos argumentos do economista Roberto Campos. O autor de A lanterna na popa assevera que o desenvolvimento do capitalismo no Brasil teria sido organizado desde sempre pelo Estado. Para Campos, em nenhum momento o livre-cambismo próprio da ideologia liberal teria sido dominante em nosso país. Campos busca oferecer uma saída política aos defensores do neoliberalismo, identificando no governo Collor um “acidente de percurso” e desvinculando dessa forma o projeto neoliberal da derrota sofrida por Collor com o impeachment.

Um dos mais consequentes intelectuais defensores do liberalismo, Oliveiros da Silva Ferreira também se posiciona radicalmente contra a existência do neoliberalismo no governo Collor. Considera que no Brasil não se desenvolveram ainda as condições para a plena liberdade de mercado. Para Oliveiros Ferreira, sequer houve a aplicação do liberalismo de corte mais “clássico”. Por vias transversas, portanto, Ferreira chega a conclusões semelhantes às de Roberto Campos: o Estado brasileiro foi o principal indutor da economia e isso, à luz dos princípios liberais, representa uma “não regra” no que tange à liberdade dos homens.

Ocorre que, se analisamos os princípios teóricos a partir das realidades concretas, nenhuma ideologia moderna (e ficamos nesse nível de comparação) pode ser considerada plenamente aplicada. Isso serve para experiências históricas tão distintas quanto a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, nos marcos do pensamento liberal, ou a Revolução Russa e suas consequências no que respeita à aplicação do socialismo. Em princípio, nenhum modelo teórico jamais foi inteiramente congruente com suas tentativas de implementação prática. No Brasil, em especial, sob a influência de variadas correntes políticas e ideológicas ao longo de nossa formação, experimentamos diversas “misturas” entre receituários de origens diversas, o que se aplica também às questões ideológicas.

O que podemos depreender das afirmações de intelectuais como Roberto Campos e Oliveiros Ferreira é que, na verdade, a aplicação do liberalismo no Brasil, como também de sua radicalização neoliberal, ocorreu sempre a partir de sua própria negação: o Estado. Isso, contudo, não invalida as premissas de sustentação da ideologia neoliberal emergente, primeiro, nos países centrais, a partir dos quais se alastrou para os países periféricos, como o Brasil — não sem entrar em choque com suas realidades políticas e culturais. 

Portanto, apesar dos sinais aparentemente contraditórios, é correto, sim, afirmar que o neoliberalismo, em nosso país, foi introduzido pelo governo Collor. Na área monetária, o confisco da poupança, principal medida intervencionista, seguiu à risca uma premissa do economista Milton Friedman, que propunha o combate à inflação por meio da restrição do meio circulante. Na área fiscal, o aumento de impostos — outra medida importante, aparentemente contrária aos princípios do neoliberalismo — foi adotado a partir da necessidade de equilíbrio das contas públicas, esta sim uma regra do Consenso de Washington, que com ela pretendia restabelecer o desenvolvimento para que se pudesse, posteriormente, voltar a diminuir a carga tributária. Em torno a essa questão havia ainda, é bem verdade, a disposição do presidente Collor em reduzir a burocracia tributária unificando os impostos.

Outra medida adotada pelo governo Collor — esta sim em franca contradição com os princípios da liberdade de mercado — foi o tabelamento de preços e salários, justificado como temporário e vital para o controle da inflação. Vale destacar que os salários foram congelados com defasagem inflacionária e os preços tiveram aumento significativo antes do tabelamento.

Na área do comércio exterior a principal medida foi a liberação das tarifações sobre os produtos estrangeiros. As alíquotas se tornaram por vezes menores; em outros momentos foram zeradas. Houve alterações na política cambial, por meio das quais se adotou um modelo de câmbio flutuante. As moedas estrangeiras, e o dólar como moeda padrão, passaram a ter seus valores diante do real determinados de acordo com as variações de mercado. Além disso, com a liberação dos controles administrativos sobre importações e exportações, foram eliminadas as exigências burocráticas e operacionais. Tudo isso permitiu ao governo Collor realizar, como parte de seu programa, a maior abertura econômica do Brasil em todos os tempos.

É possível, contudo, que tenha se dado no campo da gestão pública a mais literal e não questionada aplicação dos preceitos neoliberais.

Por meio da chamada reforma administrativa buscou-se a diminuição do funcionalismo público, seja através de estímulos às demissões (com premiações para quem se autoexonerasse), seja, posteriormente, através do recurso a leis facilitadoras de demissões em massa ou a medidas administrativas que permitiam “encostar” os funcionários. O plano de privatização, por sua vez, possibilitava ampliar receitas e cortar gastos com as empresas deficitárias. Porém, embora fizessem parte da reforma do Estado, as privatizações constituíam um capítulo à parte. Além da convicção ideológica na necessidade de diminuição do ativismo estatal no terreno econômico, elas também ofereciam condições para a atração de capitais externos em um novo ciclo de investimentos de multinacionais no país.

Esse conjunto de decisões políticas e econômicas tomadas por Fernando Collor de Mello demonstra a real natureza de seu governo.

Talvez um dos poucos consensos quanto à sua gestão na Presidência da República seja o de que o programa implementado correspondeu exatamente ao proposto na campanha e na posse. As privatizações iniciadas no governo José Sarney tiveram real consequência durante o governo Collor. A abertura econômica foi organizada e aplicada em seu governo. Implementou-se uma proposta de reforma administrativa baseada no enxugamento da máquina pública e na diminuição do papel do Estado na sociedade. Transformações econômicas e políticas profundas foram operadas.

Hoje o receituário neoliberal — antes propalado como única saída para os povos e como solução para o alcance de uma sociedade equilibrada e harmoniosa — dá mostras de fracasso no Brasil e no mundo.

A grave crise econômica que presenciamos é apontada como consequência direta do modelo que surgiu para “tirar o mundo da crise”. Ao contrário disso, o que se aplicou na prática foi a “livre” circulação de moedas e produtos, bem como uma série de outras medidas que fragilizaram os Estados nacionais com o objetivo de facilitar novos modelos e blocos econômicos, unificando moedas e exércitos e concentrando poder. Tudo isso está em declínio hoje, a começar do sistema financeiro mundial.

Aqueles que no passado defenderam o neoliberalismo parecem hoje desnorteados. Passaram a ignorar sua existência, diversificando a crítica, fragmentando as responsabilidades, procurando oferecer uma interpretação diluída de seus resultados. Chegam a considerar que o neoliberalismo é um modelo que não existiu. Repetem, dessa maneira, o episódio narrado por Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão: quando, após um massacre de trabalhadores na fictícia Macondo, os moradores simplesmente passaram a ignorar o fato, a história deixou de ser contada até virar lenda — todos simplesmente deixaram de acreditar que poderia ter havido um massacre de trabalhadores. Mas ele existiu! E, no caso do modelo neoliberal, ainda existe. O neoliberalismo é ainda hoje, em nossos dias, o modelo predominante no mundo.

Dirão que não é possível aplicar o neoliberalismo por ser ele utópico.

Dirão que sempre haverá a necessidade da presença do Estado. Mas o que se constata, na verdade, é que as medidas previstas no chamado Consenso de Washington — síntese mais acabada das teses neoliberais — continuam sendo aplicadas nas condições objetivas de cada país, mesmo que nações como o Brasil tentem, na atualidade, livrar-se das medidas tomadas no passado com o fito de privilegiar grupos econômicos poderosos — a começar do sistema financeiro, carro-chefe da atual estrutura do capitalismo.

É de grande poder explicativo a tese segundo a qual, com a vitória eleitoral do sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o presidente Fernando Collor foi substituído por um quadro mais compromissado com as classes dominantes na aplicação do neoliberalismo. Fernando Henrique governou o Brasil e implementou o receituário neoliberal com uma agenda ainda mais agressiva e consequente nas mudanças de paradigma da política econômica do país. É importante considerar que a tese da não existência do neoliberalismo foi pautada inicialmente por intelectuais ligados ao ex-presidente da República e consagrada pelo próprio FHC, que também chegou a se considerar um socialliberal. A negação do neoliberalismo representa, nessa perspectiva, uma resposta política ligada à tentativa de desvincular-se do modelo econômico proposto e implementado no país, bem como de suas consequências.

A continuidade da aplicação do modelo neoliberal com o governo FHC, contudo, não significou a simples substituição de um quadro político por outro. Houve luta política no meio dessa transição, com intervenções e disputas dentro do governo Itamar Franco e no processo eleitoral que se seguiu posteriormente. Nessa batalha, as forças políticas contrárias ao paradigma neoliberal não conseguiram reunir condições suficientes para vencer as eleições e substituir esse modelo.

O novo bloco histórico, a nova maioria política capaz de substituir gradualmente o neoliberalismo somente alcançaria o poder de Estado a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 2002, quando já se configurava um momento político de esgotamento desse ciclo de (não) desenvolvimento.

Passados vinte anos do impeachment de Fernando Collor, o Brasil vive um momento de consolidação democrática e institucional. A presidente da República é uma combatente de esquerda, torturada durante a Ditadura Militar. Um fato de grande significado, a provar que, com o passar dos anos, a razão histórica não se revelou ao lado dos apoiadores do regime autoritário, mas, ao contrário, dos jovens lutadores que enfrentaram com coragem a repressão.

Em 2012, o Sport Club Corinthians Paulista tornou-se, pela primeira vez em sua história, campeão da Copa Libertadores da América, um título esperado por gerações. A Rede Globo mostra o que de melhor sabe fazer com a remontagem da novela Gabriela, baseada no romance homônimo de Jorge Amado. A inflação continua sob controle, um dos poucos bons legados do governo Itamar Franco, aprofundado no governo Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente Fernando Collor de Mello, esse personagem extraordinário da vida política do Brasil, reencontrou a vitória nas urnas, elegendo-se senador da República por Alagoas. No mesmo Senado Federal encontra-se hoje o líder dos caras pintadas, o ex-presidente da UNE Lindbergh Farias (PT-RJ), em trajetória política ascendente.

Nossos meios de comunicação de massa continuam cumprindo o papel histórico de representar segmentos, opiniões e ideias das classes dominantes. Mesmo com contradições, pontos de vista distintos e disputas de mercado e de leitores, criam a unidade ideológica em defesa do liberalismo e de suas correntes majoritárias. Hoje críticos das ações desregulamentadas dos capitais financeiros, os meios de comunicação não fizeram, em nenhum momento, a esperada autocrítica de sua defesa intransigente do neoliberalismo.

Seja como for, o Brasil respira uma atmosfera de maior liberdade. 

Para chegar à situação atual, como pudemos conferir ao longo deste livro, o país precisou percorrer seus próprios caminhos. A construção de nossa jovem democracia foi um processo particular, que conheceu os defeitos e as virtudes de um país jovem e em formação.

Do livro Rodrigo de Carvalho. A Era Collor: da eleição ao impeachment. São Paulo. Fundação Maurício Grabois / Editora Anita, 2012